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            <titleStmt><!-- escolha aleatória -->
                <title>1917. Carta de amor enviada por um militar do CEP. De França para Abrantes. FLY2380</title>
                <sponsor>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</sponsor>
                <funder>FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia PTDC/CLE-LIN/098393/2008</funder>
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                    <resp n="project"><name id="FLY">FLY, Cartas Esquecidas: Anos 1900 a 1974 (Forgotten Letters: Years 1900-1974)</name></resp>
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                    <resp n="coordination"><name id="RM">Rita Marquilhas</name></resp>
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                    <resp n="transcription"><name id="MG">Mariana Gomes</name></resp>
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                    <resp n="contextualization"><name id="SC">Sílvia Correia</name></resp>
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                    <resp n="supervision"><name id="RVDB">Ron Van den Branden</name></resp>
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                <publisher>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</publisher>
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                    <addrLine>Av. Professor Gama Pinto, 2</addrLine>
                    <addrLine>1649-003 Lisboa-Portugal</addrLine>
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                <pubPlace>Lisboa</pubPlace>
                <date value="2012">2012</date>
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                    <p>Copyright 2012, CLUL</p>
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                    <letIdentifier>
                        <country>Portugal</country>
                        <settlement>Lisboa</settlement>
                        <institution type="nationInstitute">Arquivo Histórico Militar</institution>
                        <repository reg="CEP">Corpo Expedicionário Português</repository>
                        <collection>I Divisão</collection>
                        <idno>35ª Secção, Caixa 86, Fólio [1]r-[2]v</idno>
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                        <author attested="yes" key="CDD.xml#CDD2493" id="CDD2493">CDD2493</author>
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                        <placeLet attested="yes">França</placeLet>
                        <dateLet attested="yes">1917.12.10
                            <date value="1917"/>
                        </dateLet>
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                    <physDesc>
                        <type>carta</type>
                        <support>
                            <p>uma folha de papel dobrada escrita em todas as faces; carimbo do Arquivo Histórico Militar.</p>
                        </support>
                        <extent>
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                        <layout>
                            <p>sem linhas em branco a separar a fórmula de endereço e o início do texto.</p>
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                        <condition>
                            <p></p>
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                        <class n="type">notícias</class>
                        <class n="linguisticSource"></class>
                        <class n="socioHistoricalSource">I Guerra Mundial</class>
                        <class n="sociologySource">serviço militar, comunicação social, política</class>
                        <p>O autor escreve à sua mulher, comentando a situação das licenças emitidas e expressando também as saudades que sente de casa.</p>
                    </letContents>
                    <additional>
                        <adminInfo>
                            <availability>
                                <p>Reproduções não dispensam licença do Arquivo Histórico Militar.</p>
                            </availability>
                        </adminInfo>
                        <surrogates>
                            <p>
                                <bibl>facsimile digital guardado como ficheiro JPEG</bibl>
                                <bibl><xref n="FLY2380_1.JPG"/></bibl>
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                        </surrogates>
                        <note n="context"><p>I Guerra Mundial</p></note>
                        <note n="otherContext"><p>Os sublinhados do manuscrito são da censura.</p></note>
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            <projectDesc>
                <p>Projeto FLY, Cartas Esquecidas: busca, edição e estudo de cartas privadas escritas entre 1900-1974 em contexto de guerra, migração, prisão e exílio. Coordenação: Rita Marquilhas</p>
            </projectDesc>
            <editorialDecl>
                <p>Transcrição quasi-paleográfica, normalizando-se apenas a fronteira de palavra. As conjeturas do editor surgem entre parênteses retos e as leituras difíceis foram assinaladas com contraste de cor. As formas emendadas nos originais manuscritos estão rasuradas com um traço sobreposto, enquanto as formas acrescentadas nos mesmos originais se transcreveram na entrelinha superior. Com o intuito de salvaguardar dados privados, as ocorrências de nomes de pessoa surgem substituídas pela letra [N], as de nome de lugar, pela letra [L] e as de outros dados, pela letra [D]. Finalmente, as cartas de acesso restrito têm reticências entre parênteses retos a assinalar texto suprimido.</p>
            </editorialDecl>
        </encodingDesc>
        <profileDesc>      
            <langUsage>                 
                <language n="PT"/>             
            </langUsage>
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        <revisionDesc>
            <change>
                <date>julho de 2012</date>
                <respStmt>
                    <resp n="tagging">
                        <name>Mariana Gomes</name></resp>
                </respStmt>
                <item>Codificação DALF</item>
            </change>
        </revisionDesc>
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    <text id="FLY2380">
        <envelope type="95x120">
            <envPart side="front">
                <address type="receiver">                 
                    <addrLine>Madame</addrLine>
                    <addrLine><name/></addrLine>
                    <addrLine>Rua <num/></addrLine>
                    <addrLine>Abrantes</addrLine>
                    <addrLine><add hand="CDD2493" place="margin-left"><name/></add></addrLine>
                </address>
                <postmark><placeName>N.A.</placeName> <note type="otherText">Censurado, No. 15</note></postmark>
                <postmark><placeName>N.A.</placeName> <note type="otherText">C.E.P.</note> <note type="date">11 XII, 17</note> <note type="otherText">S.P.C. 4</note></postmark>
            </envPart>
        </envelope>
        <body>
            <pb n="[1]r"/>
            <opener>
                <address><addrLine>França, em Campanha,</addrLine></address>
                <date>10-12-917</date>
                <time><supplied resp="MG" reason="illegible">as 23h</supplied></time>
                <salute>Minha adorada <name/></salute>
            </opener>
            <p>Hoje tambem não recebi carta<lb/> tua, e sim apenas jornaes, e entre<lb/> eles o de Abrantes de 2 do corrente;<lb/> quer diser, continua a mesma<lb/> irregularidade. Oxalá a mãe-<lb n="false"/>sinha esteja melhor e que não<lb/> haja maior novidade. Eu conti-<lb n="false"/>nuo na mesma, embora abor-<lb n="false"/>recido por causa da licença, que<lb/> continuo sem saber quando a hei-<lb n="false"/>de gosar, pois nada resolvem,<lb/> indo apenas por caminho de ferro,<lb/> os general, e oficiaes deputados, que<lb/> aqui são apenas oficiaes. A mo-<lb n="false"/>ralidade é esta, uns estão na fren-<lb n="false"/>te, não teem as regalias devidas,<pb n="[1]v"/> os que estão embuscados teem<lb/> tudo, pois nada lhes falta, e go-<lb n="false"/>sam a licença como grandes he-<lb n="false"/>roes. O <name/> decerto já ahi<lb/> chegou e o <name/> prestes, se tam-<lb n="false"/>bem já não chegou. Enfim, eles<lb/> já estavam ca ha mais tempo,<lb/> bem sei, mas na licença teem<lb/> havido muita arbitrariedade.<lb/> Isto é que eu não esperava, pois<lb/> contava ao fim dos 5 mezes po-<lb n="false"/>der gosar a minha licença que<lb/> com tanto direito e trabalho<lb/> ela só é concedida a quem<lb/> está nas linhas. Isto tem<lb/> indisposto muitos, muitos, que<lb/> fazem os mais acerrimos comen-<lb n="false"/>tarios, e prometem vingar-se,<lb/> pois quando voltarem, dizem, as<pb n="[2]r"/> coisas hão de dizer-se. será com<lb/> eles, pois eu faço <unclear>uaza formi</unclear>,<lb/> e sei o que ambicioso é voltar<lb/> á nossa casinha, e... voltar<lb/> as costas a tudo isto, que tão<lb/> desorganisado anda.<lb/><lb/> Vi no Abrantes a noticia do <abbr>Dr</abbr><lb/> <name/>; que faça boa viajem<lb/> e bastantes anos sem nós. A ner-<lb n="false"/>vosa deve estar triste, pois são<lb/> golpes muito seguidos.<lb/> Então ainda me não disseste quan-<lb n="false"/>tos litros de aseite tivemos. Já<lb/> venderam as bezerras? E as <supplied resp="MG" reason="illegible">cri<lb/>has</supplied> e ovelhas? Tenho tanta von-<lb n="false"/>tade de ver as Areias, casinha,<lb/> e tudo tudo! Enfim, lá irei quan-<lb n="false"/>do quiserem, já que não pode<lb/> ser tão cedo. A patifa da mu-<lb n="false"/>lher do <name/> nunca <supplied resp="MG" reason="illegible">vai</supplied> lá<pb n="[2]v"/> à loja? Pouca conversa com es-<lb n="false"/>sa gente.<lb/><lb/> Diz-me ha pouco um alferes do <hi rend="underlined">8</hi>,<lb/> que aqui está n'uma <abbr>compa</abbr> á minha<lb/> direita, que um jornal de Londres<lb/> diz que ahi houve tumultos em<lb/> Lisboa e Porto! Que coisas essas?<lb/> É um constante mal-estar. Tanta fal-<lb n="false"/>ta de juizo; É com eles. Se me<lb/> apanho na nossa casinha, junto<lb/> de ti adorada mulherzinha, retiro-<lb n="false"/>me <note n="contraction">d</note>' um certo numero de coisas,<lb/> e de certa gente, que é quem<lb/> tem tambem acarretado asneiras e dis-<lb n="false"/>parates. Passar a vida retirado<lb/> de certas perturbações sociaes, e<lb/> entregarmo-nos á nossa cazi-<lb n="false"/>nha. <seg type="formulaicText" n="peroration">Adeus; dá muitas sau-<lb n="false"/>dades e abraços aos paezinhos;<lb/> e tu minha querida e adorada<lb/> mulherzinha, em imensa sauda-<lb n="false"/>de e <abbr>muitos</abbr> beijos e abraços do</seg></p>
            <closer>
                <salute>teu marido eternamente amigui-<lb n="false"/>nho</salute>
                <signed><name/></signed></closer>
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