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                <title>1918. Carta familiar de um Sargento do CEP para a mãe. De França para Vila Nova da Barquinha (concelho). FLY2423</title>
                <sponsor>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</sponsor>
                <funder>FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia PTDC/CLE-LIN/098393/2008</funder>
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                    <resp n="project"><name id="FLY">FLY, Cartas Esquecidas: Anos 1900 a 1974 (Forgotten Letters: Years 1900-1974)</name></resp>
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                    <resp n="coordination"><name id="RM">Rita Marquilhas</name></resp>
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                    <resp n="transcription"><name id="MG">Mariana Gomes</name></resp>
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                <respStmt><resp n="contextualization"><name id="SC">Sílvia Correia</name></resp></respStmt>
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                    <resp n="supervision"><name id="RVDB">Ron Van den Branden</name></resp>
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                <publisher>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</publisher>
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                    <addrLine>Av. Professor Gama Pinto, 2</addrLine>
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                <pubPlace>Lisboa</pubPlace>
                <date value="2012">2012</date>
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                    <p>Copyright 2012, CLUL</p>
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                    <letIdentifier>
                        <country>Portugal</country>
                        <settlement>Lisboa</settlement>
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                        <repository reg="AP">Arquivo Privado</repository>
                        <collection>Arquivo Privado</collection>
                        <idno>FLY2423, Fólios 1-5v</idno>
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                        <author attested="yes" key="CDD.xml#CDD2562" id="CDD2562">CDD2562</author>
                        <addressee attested="no" key="CDD.xml#CDD2563" id="CDD2563">CDD2563</addressee>
                        <placeLet attested="yes">França</placeLet>
                        <dateLet attested="yes">1918.07.21
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                        </dateLet>
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                    <physDesc>
                        <type>carta</type>
                        <support>
                            <p>cinco folhas de papel de carta não pautado escritas em todas as faces.</p>
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                        <extent>
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                        <layout>
                            <p>sem linhas em branco a separar a fórmula de endereço e o início do texto.</p>
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                        <condition>
                            <p>o quinto fólio está em mau estado de conservação, tem um rasgão colado com fita-cola até meio do comprimento da carta e em toda a sua extensão das linhas 12 e 13 .</p>
                        </condition>
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                        <class n="type">notícias</class>
                        <class n="linguisticSource"></class>
                        <class n="socioHistoricalSource">I Guerra Mundial</class>
                        <class n="sociologySource">conflito armado, serviço militar, intimidade</class>
                        <p>O autor faz uma longa narração à mãe, dando-lhe notícias de tudo quanto tem passado em França desde que foi mandado para a guerra. Não poupa pormenores na descrição do sofrimento, do medo, da revolta, mas também da sorte que o vai protegendo e lhe permitiu até arranjar uma namorada.</p>
                    </letContents>
                    <additional>
                        <adminInfo>
                            <availability>
                                <p>Reproduções não dispensam licença do proprietário da Coleção.</p>
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                        </adminInfo>
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                            <p>
                                <bibl>facsimile digital guardado como ficheiro JPEG</bibl>
                                <bibl><xref n="FLY2423_1.JPG"/></bibl>
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                                <bibl><xref n="FLY2423_5.JPG"/></bibl>
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                        <note n="context"><p>I Guerra Mundial</p></note>
                        <note n="otherContext"><p>Esta carta está parcialmente transcrita pelo neto do autor em dois endereços:
                            https://www.facebook.com/media/set/?set=a.569547679805725.1073741829.358248897602272ANDtype=1
                            e
                            http://praiaonline.planetaclix.pt/arquivo.htm.</p></note>
                    </additional>
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            <projectDesc>
                <p>Projeto FLY, Cartas Esquecidas: busca, edição e estudo de cartas privadas escritas entre 1900-1974 em contexto de guerra, migração, prisão e exílio. Coordenação: Rita Marquilhas</p>
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            <editorialDecl>
                <p>Transcrição quasi-paleográfica, normalizando-se apenas a fronteira de palavra. As conjeturas do editor surgem entre parênteses retos e as leituras difíceis foram assinaladas com contraste de cor. As formas emendadas nos originais manuscritos estão rasuradas com um traço sobreposto, enquanto as formas acrescentadas nos mesmos originais se transcreveram na entrelinha superior. Com o intuito de salvaguardar dados privados, as ocorrências de nomes de pessoa surgem substituídas pela letra [N], as de nome de lugar, pela letra [L] e as de outros dados, pela letra [D]. Finalmente, as cartas de acesso restrito têm reticências entre parênteses retos a assinalar texto suprimido.</p> 
            </editorialDecl>
        </encodingDesc>
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                <language n="PT"/>
            </langUsage>
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        <revisionDesc>
            <change>
                <date>dezembro de 2012</date>
                <respStmt>
                    <resp n="tagging">
                        <name>Mariana Gomes</name></resp>
                </respStmt>
                <item>Codificação DALF</item>
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        </revisionDesc>
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            <opener>
                <address><addrLine>Campo de Batalha</addrLine></address> <date>21 de Julho de 1918</date> <salute>Maisinha</salute>
            </opener>
            <p>Tendo hoje possibiidade de lhe dizer alguma<lb/> coisa sobre mim, lhe envio esta carta pelo<lb/> meu colega <name/> que não sei se a<lb/> maesinha o conhece; mas enfim, ele<lb/> prontificou-se em ir ahi dizer-lhe alguma<lb/> coisa sobre a minha situação; que é para<lb/> lamentar, porque de vez en quando vêjo ir<lb/> um ou outro de licença, e com a certeza<lb/> de não mais <supplied resp="MG" reason="illegible">voltarem</supplied> a estes <supplied resp="MG" reason="damage">campos</supplied><lb/> e aldeias devastadas por toda a qualida-<lb n="false"/>de de metralha e onde só reina a tris-<lb n="false"/>teza. Calcule maesinha que na minha<lb/> companhia actualmente somos 18 sargen<lb n="false"/>tos, para os quais existe uma escala para<lb/> irem de licença, quando para isso ha-<lb n="false"/>ja auctorisação, Ora já se deixa vêr que<lb/> eu estou em numero 18, porque não<lb/> ha 19. Ha um ano que estou na Com-<lb n="false"/>panhia já vi 3 sargentos de licença<lb/> como vê d'aqui a 6 anos ahi estou<pb n="1v"/> A situação aqui é critica quanto pode<lb/> sêr, os oficiaes abandônam-nos cheios<lb/> de terrôr, calcule que na minha <abbr>compa</abbr><lb/> que pertense ter 8 oficiaes estamos actual-<lb n="false"/>mente com um, e os restantes teem fugi-<lb n="false"/>do para os hospitaes, não tendo doença al-<lb n="false"/>guma mas sim mêdo. Com respeito á minha<lb/> subvenção, pelo que os outros meus colegas<lb/> me dizem que os seus recebem sei que a<lb/> maisinha tem sido roubada, não tenho<lb/> eu a sorte de ahi voltar; porque passaria<lb/> bastante tempo <gap reason="damage" extent="1 word"/> com essa gatu<lb n="false"/>nagem que só não se contenta com o que<lb/> lhe dão, e acima de tudo com o seu bem<lb/> estar, para ir roubando ás familias dos<lb/> que lutam com atrozes féras e que cada<lb/> vez a morte se assemêlha mais angustiosa<lb/> porque umas vezes nos lembramos do que<lb/> já temos sofrido, e qualquer dia teremos<lb/> que secumbir nos campos da egualdade<lb/> e outras pelos exemplos que estamos vendo<lb/> todos os dias, e mesmo os que chegaram a<lb/> escapar d'esta coisa toda a sua vida não<lb/> pode ir muito longe.<pb n="2"/> Pois a minha infelicidade foi eu ter sido<lb/> castigado, porque alem de ter cumprido o meu<lb/> castigo n'uma <abbr>1a</abbr> linha onde me encontrava<lb/> a 70 metros dos boches, sofrendo os horrores que<lb/> a minha maesinha n'em tão pouco pode fazer uma<lb/> pequena, <del hand="CDD2562">ahi foi</del> ideia. Foi em Julho do ano<lb/> passado, até por sinal o mez mais bonito<lb/> cá em França, lá o passei nunca com<lb/> tenções de ainda ser vivo, mas sim de<lb/> estar já fazendo companhia a muitos portu-<lb/>guezes que jazem por estes campos todos<lb/> escavados pelas artilharias; enfim passaram<lb n="false"/>se os 25 dias que tinha que cumprir, e<lb/> apezar de serviços espinhosos que todos os<lb/> dias me obrigavam a fazer, ou para milhor<lb/> dizer todas as noutes, porque durante o dia<lb/> é que se dormia alguma coisa, isto é os<lb/> que passavam a noute commigo na <abbr>1a</abbr> linha<lb/> vinham dormir para a <abbr>2a</abbr> mas eu é que<lb/> de dia e de noute lá tinha que estar encos-<lb n="false"/>tado ao parapeito, até que no dia 4 de<lb/> Agosto ás 16 horas completei o meu fada-<lb n="false"/>rio, e lá sahi do meu boraquinho que eu<pb n="2v"/> mesmo fiz a um cantinho da trincheira<lb/> e que tanta vez me livrou da morte, pois<lb/> que sempre tive a felicidade de nunca me<lb/> rebentar uma granada en cima de tantas<lb/> que todos os dias em meu redor revolviam<lb/> a terra. Se eu ahi aparecesse tal qual como<lb/> sahi ninguem me conhiceria, o fato cheio<lb/> de rasgões e n'uma completa lama, o<lb/> cabelo e barba tapando as orelhas, piolhos<lb/> eram como chuva e o corpo n'um perfeito<lb/> esquelêto. Mas tudo cumpri com paciencia confi-<lb n="false"/>do confiado em voltar para a companhia<lb/> que distava uns 90 Kilometros das trinchei-<lb n="false"/>ras e onde já se estava tranquilo, mas ainda<lb/> me susedeu o contrario, porque o General <name/>-<lb n="false"/><name/> não se contentou em me castigar<lb/> porque ainda me passou para a <abbr>1a</abbr> com-<lb n="false"/>panhia de <abbr>Sapes</abbr> Mineiros que então já<lb/> andava trabalhando nas trincheiras e<lb/> lá comecei eu então trabalhando com um<lb/> grupo de homens, sempre nos sitios mais<lb/> perigosos que para mim eram escolhidos<lb/> visto não ter ninguem que punisse<pb n="3"/> por mim e eu na companhia ser tido<lb/> como um correcional. Mas eu a nada<lb/> fazia oposição apenas procurava desem-<lb n="false"/>penhar-me de todos os encargos o milhor<lb/> o possivel, para vêr se assim os meus<lb/> chefes comprehendiam que eu não éra<lb/> nada do que eles julgavam; e como tal<lb/> assim sucedeu, porque já fiz um ano que<lb/> aqui estou - na <abbr>Compa</abbr> e nunca mais fui<lb/> castigado nem reprehendido, quanto que<lb/> camaradas meus que os comandantes ti-<lb n="false"/>nham <supplied resp="MG" reason="illegible">em</supplied> boa consideração já o têem<lb/> sido. Mas contudo durante todo esse tem<lb n="false"/>po que andei trabalhando a sorte sem-<lb n="false"/>pre me protegeu, porque alem de andar<lb/> sempre mais exposto ao fogo da artilharia<lb/> só de tempos a tempos é que me morria<lb/> algum homem. Assim fui andando até<lb/> ao dia 4 de Abril, n'este dia foi abatido<lb/> um sargento à <abbr>compa</abbr> e que o dito éra<lb/> de conductores, pois o Comandante quiz<lb/> ter então essa amabalidade para commigo<lb/> e passou-me para os conductores, foi então<pb n="3v"/> quando disse adeus aos meus trabalhos<lb/> de trincheiras, porque os sargentos montados<lb/> não trabalham, apennas dirigimos o<lb/> serviço de viaturas, no acantonamento<lb/> que distava então uns 2 Kilometros das<lb/> linhas de fogo, pois n'este dia considerei-me<lb/> feliz por me terem aliviado deste <add hand="CDD2562" place="supralinear">tão</add> terrivel<lb/> pezo, mas pouco me gosei desse bem estár, por-<lb n="false"/>que no dia 9 de os boches déram-nos um<lb/> ataque que então é que eu pensei em ficar<lb/> esmagado, calcule a maesinha, que eram<lb/> mais de 5.000 bocas de fogo vomitando me-<lb n="false"/>tralha ao mesmo tempo, não havia acan-<lb n="false"/>tonamento n'em estrada que não fosse tu-<lb n="false"/>do batido pela artilharia, alguns civis que<lb/> se encontravam mais perto das linhas<lb/> fugiam espavoridos em camisa, isto é<lb/> tal qual estavam deitados nas suas<lb/> camas visto que o combate rompeu ás<lb/> 4 horas da manhã, eu por acaso nesse<lb/> dia estava de dia á Secção e como o gado<lb/> estava um pouco desviado do acantonamen-<lb n="false"/>to da <abbr>compa</abbr>, o <abbr>sargto</abbr> de dia dormia lá<pb n="4"/> n'uma barraca de madeira que nós<lb/> nos encarregamos de fazer, pois a maesi-<lb n="false"/>nha não calcula a minha sorte, pois logo<lb/> que rompeu o bombardeamento, o gado<lb/> começou a ser batido e eu acordei sobre<lb n="false"/>saltado aos estrondos da artilharia e<lb/> do gado frido, que soltáva urros enormes<lb/> mas como nós aqui dormimos sempre<lb/> vestidos, levantei-me n'um salto, para acor-<lb n="false"/>dar todos os homens para nos pormos em<lb/> fuga visto que nada ali nos poderia va<lb n="false"/>lêr, pois ainda não havia meio minuto<lb/> que tinha deixado a barraca já uma<lb/> granada a reduzia a sinzas, os homens<lb/> pareciam doidos, começou-nos depois<lb/> a chegar gaz axfixiante nós todos<lb/> puzemos as mascaras, mas os cavalos e<lb/> mulas soltavam urros que pareciam<lb/> racionais, até é mesmo impossivel fazer<lb/> uma discripção exata destas horas tão<lb/> terriveis; mesmo assim ainda disse a<lb/> alguns homens que ainda estavam<lb/> ao pé de mim, o melhor que temos<pb n="4v"/> a fazer é vêr se pudemos engatar alguns<lb/> carros e fugirmos porque daqui a alguns<lb/> minutos estamos prisioneiros dos boches,<lb/> assim foi, ainda pude engatar 3 carros<lb/> que ainda as granadas não tinham<lb/> partido, e de 300 cabeças de gado que<lb/> tinhamos só pudemos salvar umas 20.<lb/> e assim foi fomos fugindo pelo meio<lb/> das granadas, por cima de mortos e<lb/> feridos que a todo o passo se <supplied resp="MG" reason="illegible">encontravam</supplied><lb/> e assim fomos correndo todo o dia para<lb/> nos juntar-mos á <supplied resp="MG" reason="damage">companhia</supplied> que já<lb/> tinha partido á mais tempo, e até que<lb/> á noute a encontramos, ahi descançá-<lb n="false"/>mos, um bocado e tinhamos algum ali-<lb n="false"/>mento, e depois continuamos a marcha<lb/> e assim fomos marchando durante<lb/> 4 dias, até que depois descançá-mos<lb/> 15 dias, ahi recebemos roupas e calçado<lb/> gado e viaturas, passado 15 dias vol-<lb n="false"/>tamos outra vez para a frente, onde<lb/> nos encontramos actualmente, mas<lb/> agora aqui estamos mais um bocado<pb n="5"/> desviados do <foreign>front</foreign>, estamos n'uma al-<lb n="false"/>deia, bonita por signal, e aqui estamos<lb/> construindo trincheiras de reserva porque<lb/> se espera novo avanço boche, mesmo<lb/> assim aqui não estou mal, durmo<lb/> n'uma boa cama como n'unca dormi<lb/> em Portugal, aqui ha muitos civis e<lb/> eu como não vou trabalhar e os dias que<lb/> não estou de serviço entretênho-me fa-<lb n="false"/>lando com as <foreign>mademoiselas</foreign> que são mui-<lb n="false"/>to galantes e que gostam muito dos por-<lb n="false"/>tuguezes. O <gap reason="damage" extent="3 words"/> vêr que <supplied resp="MG" reason="illegible">em eu</supplied><lb/> tenho o <supplied resp="MG" reason="illegible">meter</supplied> <supplied resp="MG" reason="damage">namoro</supplied> que por signal<lb/> é uma linda pecurrucha, se a <supplied resp="MG" reason="damage">maisinha</supplied><lb/> me ouvisse falar com ela ficava admi-<lb n="false"/>rada, eu já estou um francez perfeito,<lb/> pois não calcula como sou bem tratado<lb/> pelos seus pais, fico lá em casa d'eles<lb/> n'uma boa cama, como já lhe disse, e<lb/> todos os dias de manhã <del hand="CDD2562">de</del> me dão<lb/> 2 ovos ainda na cama, e como com<lb/> eles em qualquer ocasião, e a pequena<lb/> é uma doida pelo seu <name/>, ou por<pb n="5v"/> outra pelo seu <name/>, porque lhe custa<lb/> muito pronunciar <name/>, ela já um dia<lb/> d'estes escreveu á <name/> felicitanto-a pelo<lb/> seu aniversario, porque eu disse-lhe que a<lb/> <name/> fazia anos no dia 24, é o que me<lb/> vale mesmo assim é a pequena para destra-<lb n="false"/>ção, e já tenho penna de qualquer dia me<lb/> ter que ir embora daqui, porque natural-<lb n="false"/>mente já não <supplied resp="MG" reason="damage">arranjarei</supplied> outra tão amigui<lb n="false"/>nha como esta, enfim são peripécias da<lb/> guerra; eféctivamente se eu tivesse a sorte<lb/> de um dia <supplied resp="MG" reason="damage">voltar</supplied> <gap reason="damage" extent="2 words"/> <supplied resp="MG" reason="damage">tivesse tinha</supplied><lb/> que contar uns bons serões de inverno.<lb/> <seg type="formulaicext" n="peroration">Por hoje ja me estou tornando muito cháto<lb/> e por isso vou terminar, peço para recomendar<lb/> a todos os visinhos, abraços ás tias, avosinha<lb/> e beijos aos petizes e á <name/>.<lb/> Receba longos abraços</seg></p>
            <closer>
                <salute>do seu filho<lb/> muito amigo</salute>
                <signed><name/></signed></closer>
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