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                <title>1969. Carta de amor de um noivo, emigrante em França, para a futura mulher. De Bonneville (França) para Leiria. FLY2457</title>
                <sponsor>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</sponsor>
                <funder>FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia PTDC/CLE-LIN/098393/2008</funder>
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                    <resp n="project"><name id="FLY">FLY, Cartas Esquecidas: Anos 1900 a 1974 (Forgotten Letters: Years 1900-1974)</name></resp>
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                    <resp n="contextualization"><name>Leonor Tavares</name></resp>
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                    <resp n="supervision"><name id="RVDB">Ron Van den Branden</name></resp>
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                <publisher>CLUL, Centro de Linguística da Universidade de Lisboa</publisher>
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                    <addrLine>Av. Professor Gama Pinto, 2</addrLine>
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                <pubPlace>Lisboa</pubPlace>
                <date value="2013">2013</date>
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                    <p>Copyright 2013, CLUL</p>
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                    <letIdentifier>
                        <country>Portugal</country>
                        <settlement>Lisboa</settlement>
                        <institution>N.A.</institution>
                        <repository>N.A.</repository>
                        <collection>Coleção Particular</collection>
                        <idno>FLY2457, Fólios [1]r-[2]v</idno>
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                        <dateLet attested="yes">1969.07.01
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                        </dateLet>
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                    <physDesc>
                        <type>carta</type>
                        <support>
                            <p>uma folha e meia de papel de carta pautado com 30 linhas escritas em todas as faces.</p>
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                            <p>sem linhas em branco a separar a fórmula de endereço e o início do texto.</p>
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                        <condition>
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                        <class n="type">reclamação</class>
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                        <class n="socioHistoricalSource">emigração</class>
                        <class n="sociologySource">família, saúde, condições económicas, emprego, género</class>
                        <p>O autor conta uma ida ao médico. Reclama também com a destinatária a propósito de um episódio em que ela lhe desobedeceu mas termina a carta num registo de reconciliação a propósito da casa que estão a construir.</p>
                        <note n="relatedLetters"><p>FLY2458</p>, <p>FLY2466</p>, <p>FLY2467</p>, <p>FLY2468</p>, <p>FLY2469</p>, <p>FLY2470</p>, <p>FLY2471</p>, <p>FLY2472</p>, <p>FLY2485</p></note>
                    </letContents>
                    <additional>
                        <adminInfo>
                            <availability>
                                <p>Reproduções não dispensam licença do proprietário da Coleção.</p>
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                        </adminInfo>
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                            <p>
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                        <note n="context">
                            <p>emigração</p>
                        </note>
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        <encodingDesc><projectDesc>
            <p>Projeto FLY, Cartas Esquecidas: busca, edição e estudo de cartas privadas escritas entre 1900-1974 em contexto de guerra, migração, prisão e exílio. Coordenação: Rita Marquilhas</p>
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            <editorialDecl>
                <p>Transcrição quasi-paleográfica, normalizando-se apenas a fronteira de palavra. As conjeturas do editor surgem entre parênteses retos e as leituras difíceis foram assinaladas com contraste de cor. As formas emendadas nos originais manuscritos estão rasuradas com um traço sobreposto, enquanto as formas acrescentadas nos mesmos originais se transcreveram na entrelinha superior. Com o intuito de salvaguardar dados privados, as ocorrências de nomes de pessoa surgem substituídas pela letra [N], as de nome de lugar, pela letra [L] e as de outros dados, pela letra [D]. Finalmente, as cartas de acesso restrito têm reticências entre parênteses retos a assinalar texto suprimido.</p> 
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        </encodingDesc>
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                <date>maio de 2013</date>
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                        <name>Mariana Gomes</name></resp>
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                <item>Codificação DALF</item>
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                <date>janeiro de 2014</date>
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                        <name>Rita Marquilhas</name></resp>
                </respStmt>
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                    <addrLine><hi rend="underlined">À menina</hi></addrLine>
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                    <addrLine><placeName/> <supplied resp="MG" reason="illegible"><abbr>No</abbr></supplied> <num/></addrLine>
                    <addrLine><hi rend="underlined"><placeName>LEIRIA</placeName></hi></addrLine>
                    <addrLine><placeName>Portugal</placeName></addrLine>
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                <print type="stamp">REPUBLIQUE FRANÇAISE, Postes, Chateau de Hautefort (Dordogne), 0,70</print>
                <postmark><placeName>VAL DE MARNE</placeName> <note type="date">1969.06.30</note> <note type="time">9<abbr>H</abbr></note> <note type="otherText">IVRY sur SEINE <abbr>Ppal</abbr></note></postmark>
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            <opener><address><addrLine><placeName>Bonnevil</placeName>-</addrLine></address> <date>1-7-69</date> <salute><name/> meu Amor</salute></opener>
            <p><seg type="formulaicText" n="harangue">Ao dar início a esta minha carta fasso vótos para que ela te vá encontrar<lb/> de uma perfeita e felis saude em companhia de quem tu mais<lb/> dezejáres que eu no momento, em que me encontro fico melhor-<lb/>zinho graças a Deus, já trabalho como anteriormente.<lb/> <name/> meu Amor cá foi entregue da tua e néla li<lb/> tudo o que me mandavas dizer mandavas-me dizer<lb/> que tinhas ficádo de saude pois foi o que eu mais estimei<lb/> em saber.</seg><lb/> <name/> meu Amor tambem me mandavas proguntar o<lb/> que é que eu tinha e o que é que o médico me disse<lb/> olha Amor em primeiro logar proguntou-me se<lb/> eu era cazádo eu disse-lhe que não e outra proguntou<lb/>me se eu tinha muito que penssar e o que é que eu<lb/> lhe avia de dizer sim <abbr>S<expan>enho</expan>r</abbr> doutor um pouco a<lb/> lamentar na vida e então disse-me que eu não<lb/> avia de pensar tanto e para penssar o normal porque<lb/> eu tinha a minha tenção alta de mais e que<lb/> não avia náda de novidade mas para eu repouzar<lb/> mais queria ele dizer para eu não trabalhar tanto<lb/> e o mal que eu tenho Amor é <supplied resp="MG" reason="illegible">ésse</supplied> e mais náda<lb/> <name/> meu Amor tu tens me vindo para cá com as tuas<lb/> churadeiras sim tu tens toda a razão em tudo mas isto<lb/> para já te dizer partiu tudo o meu aborresimento do<lb/>dia em que em te disse para não ires a Feira e tu<lb/> fostes é só isso e mais náda.<lb/> desconteriástes o teu feturo marido poderia ser o<lb/> rei que te fosse convidar mas tu não ias quanto<lb/> mais os teus pais se fosse eu que te convidasse<lb/> tu não idas ou então ficavas com duvidas<pb n="[1]v"/> E então isso acavou para mim podes ir a qualquer ládo<lb/> que eu que não ponho nem desponho em quanto for solteiro<lb/> <name/> meu Amor tu poderás gostar imenso de mim mas<lb/> eu nunca pensava que tu me fizesses éssa desfeita antes<lb/> eu não te tivesse mandado dizer náda para não ires aqui<lb/> ou ali eu andava tranquilo da vida e tu<lb/> tambem mas gostastes de me desconteriares e o <name/><lb/> é sempre mau isto Amor não é a ralhar com<lb/>tigo eu quero que tu andes Bem desposta<lb/> sempre e mostrar Bom agrado para toda a jente<lb/> porque eu não quero chegara ai daqui a 1 ano<lb/> ou 2 e dizerem me que tu nem adeus<lb/> dizes eu não quero isso quero que tu te<lb/> portes como te tens portado emte aqui<lb/> e que sejas como rapariga modestas porque eu já o<lb/> sei que o és Amor com tudo isto não chores pois eu<lb/> se eu <supplied resp="MG" reason="illegible">so</supplied> acho que choras então depois teras muito a<lb/> churar e é tudo eu não quero que nos andemos<lb/> dezangados como tu tambem não queres mas é<lb/> precizo tu não Cazares dezorientares o <name/> sim<lb/> Amor porque o <name/> é teu Amor e não se esquesse<lb/> de ti não tenhas médo porque o <name/> é sempre o<lb/> <name/> da tia <name/>.<lb/> Amor tambem me mandavas dizer para eu não ser tão<lb/> masador então Amor o <name/> é masador é não e porque ele<lb/> alem de se sentir longe tambem se sente por tudo i<lb/> por nada não é amor e<add hand="CDD2640" place="supralinear">u</add> sei Bem o qui é Amor<lb/> <name/> meu Amor tambem me pedias na tua carta<lb/> para eu te porduar sim Amor todo o que me tem feito<lb/> sofrer por mim estas porduada alem de eu<pb n="[2]r"/> <name/> <add hand="CDD2640" place="supralinear">ser</add> sempre o mesmo Amor tambem me mandavas<lb/> dizer das cores das tintas da nossa caza sim Amor são do<lb/> teu gosto não são pronto Amor tambem sou ao meu<lb/> e uma cor cada divizão só o corredor e a <supplied resp="MG" reason="illegible">sála</supplied><lb/> e que <del hand="CDD2640">o</del>a mesmo pronto Amor gostei imenso<lb/> dos teus gosto i são umas cores muito jiras<lb/> e então Amor o parte de fora é lá com<lb/> o meu <name/> e o <name/> não é pois<lb/> esta Bem Amor então Amor a rrespeito da<lb/> Fóssa olha Amor eu <name/> não esto a fazer conta<lb/> de a despejar por isso é comtigo fásse então como<lb/> tu dizes mas eu ainda vou penssar primeiro<lb/> um pouco mas é naturas que seja como tu<lb/> dizes que é para tu de ves en quando teres<pb n="[2]v"/> que fazer e pronto Amor de hoje para diante não<lb/> te chateio mais nem tu a mim cazo não<lb/> cálhe porque tu és muito minha ancontaria<lb/>dora mas isso com o tempo passa porque tem<lb/> de passar mesmo o <name/> é que manda não<lb/> és tu esta Bem Amorzinho sim<lb/> <seg type="formulaicText" n="peroration">Comprimentos para os teus pais para as<lb/><lb/> tuas irmãs para os teus irmãos i<lb/> tu deste teu Amigo e feturo marido<lb/> recebe um grande Abraço junto a mil<lb/> Beijinhos</seg></p>
            <closer>
                <salute>deste teu Amor</salute>
                <signed><name/></signed></closer>
            <ps><p>Adeus ate a tua <supplied resp="RM" reason="hidden">Resposta</supplied><lb/> O <name/> já está melhor não andes em fezes<lb/> sim Amor ADeus</p></ps>
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